Brasil enfrenta “epidemia” de queimadas em 2010
Desde 2005 o país não registrava tantos focos de incêndio/Foto: Marco Senche
Mato Grosso, com 3.444 focos, Tocantins, Pará e Maranhão lideram o ranking entre 1º de julho e 10 de agosto. No acumulado do ano, os registros de possíveis queimadas tiveram salto de 72%, de acordo com levantamento do satélite NOAA 15, indicado pelo Inpe.
Segundo o meteorologista José Felipe Farias, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe (Cptec), as condições climáticas estão favoráveis ao surgimento de incêndios. “Temos temperaturas mais altas, com menos umidade. O ar mais seco torna o ambiente propenso às queimadas”, explicou ao jornal Folha de S.Paulo.
O analista ambiental Raoni Merisse, do Instituto Chico Mendes, atribuiu a maioria dos focos na unidade à ação de invasores, como pescadores ilegais. Já a Funai (Fundação Nacional do Índio) relacionou o aumento dos focos de calor em áreas indígenas a práticas de manejo do território, descartando a ação de invasores.
Áreas protegidas
Os dados do Instituto Chico Mendes mostram que o fogo avança também sobre áreas protegidas. Foram ao menos 3.040 focos em 110 unidades de conservação em julho, o que abrange 12 parques nacionais e 57 áreas indígenas.
A ilha do Bananal (TO) concentra quase 40% dos focos registrados em áreas protegidas no período. A região mais afetada é o Parque Indígena do Araguaia, que abriga as etnias carajá e javaé.
Um parque nacional que também fica na ilha teve 336 focos. Uma equipe de 14 brigadistas da unidade deflagrará nesta quarta-feira, 11 de agosto, uma operação de emergência a fim de combater os incêndios na área.
Alerta ambiental
O governo do Acre decretou estado de alerta ambiental em razão dos incêndios florestais e queimadas fora de controle. A quantidade de focos cresceu 123% em comparação a 2008 e 587% em relação a 2009. De acordo com a Agência de Notícias do Acre, o decreto levou em consideração uma advertência do Comitê de Gestão de Riscos Ambientais (CGRA) e foi firmado em encontro extraordinário do grupo.
O ar sem umidade, com previsão de frio e ventos, pode tornar mais grave as condições na área rural e nas cidades. O decreto criou também a Sala de Situação, que funcionará no gabinete do governador e acompanhará a situação em tempo real.
Este texto foi escrito, originalmente, para o Blog EcoD
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