Cajazeiras do Padre Rolim: A felicidade paradisíaca de um telurismo incondicional


(*) José Romero Araújo Cardoso

          A cidade de Cajazeiras, localizado no extremo oeste paraibano, fronteirando com o Estado do Ceará, desperta emoções quase indescritíveis, pois tudo evoca poesia na mais pura das tradições sertanejas.
          O povo de Cajazeiras impressiona pela hospitalidade ímpar, pelo despertar imediato de amizade sincera e sólida, primando pela mais pura essência do verdadeiro sertão intercalada com a aceitação do moderno, razão pela qual transformam Cajazeiras em uma cidade encantadora onde os velhos costumes da nobre hinterlândia se mesclam com as manifestações de um novo que se modifica e se transforma cotidianamente.
          Cidade que ensinou a Paraíba a ler, a influência da cultura e da educação é notória, pois existem movimentos fantásticos que dignificam o maravilhoso rincão sertanejo.
          Exemplos disso se encontram em lutas titânicas capitaneadas por pessoas grandiosas como José Antônio de Albuquerque e Francisco Cardoso Alves, entre outros. O primeiro, inteligente e culto, nobre professor universitário, responsabiliza-se pela condução do louvável sistema Alto Piranhas de Comunicação, assessorado pela grande mulher dona Antonieta. O segundo, verdadeiro baluarte da divulgação política no sertão, encanta pelo amor á cultura em sua forma mais plena e absoluta. O lançamento de POLÍTICA: PAIXÃO E ÓDIO: TRINTA E QUATRO ANOS DE CALDEIRÃO PÓLÍTICO, vem coroar uma carreira brilhante em prol da edificação de uma sociedade mais justa e democrática. 
          Cajazeiras de muitas saudades, das conversas do “Major” Chiquinho, verdadeiros tratados épicos sobre o sertão de outrora, nas quais narrava coisas fantásticas, como as aventuras de Romeu Menandro da Cruz na terra do Padre Rolim, são atestados nostálgicos que expressam diversas razões do amor telúrico que sempre nutri pela fantástica terra do saber.
          Romeu Menandro da Cruz, quando lembrado pelo “Major” Chiquinho, era invocado como verdadeiro herói sertanejo, pois nas reminiscências do velho sertanejo estava a lembrança constante da defesa de Cajazeiras em 28 de setembro de 1926, quando o pombalense do Lajedo, neto do português Jerônimo Ribeiro Rosado, se transformou em mil na calçada da igreja do Sagrado Coração de Jesus para impedir que Sabino Gório, o famigerado lugar-tenente de Lampião, invadisse a cidade de Padre Rolim. Ao lado de grandes mitos sertanejos, como Praxedes Pitanga, Romeu naquele dia foi um dos maiores homens da face da terra, pois conseguiu que a horda bandoleira vinda do vizinho Estado do Ceará não conseguisse profanar a bela terra Cajazeirense.
          A visão paradisíaca do Campus da Universidade Federal de Campina Grande, com alunos e professores buscando incessantemente aprimorar conhecimentos, transmitindo-os de forma precisa e cada vez mais dinâmica, através de aulas magistrais ministradas por professores competentes como José Antônio, Marcelo Brandão, Paccelli, Chagas Amaro, José Maria Gurgel, entre outros, dignificam o lócus de Educação Superior Pública Cajazeirense como um dos mais ativos do Estado.
          José Maria Gurgel, grande figura humana, grande sertanejo das plagas potiguares caraubenses, filho de Segundo Gurgel e dona Mundoquinha, grande amigo que enobrece Cajazeiras do Padre Rolim. O amor desse homem pela cultura regional é algo sublime. Faz gosto ouvi-lo narrar as coisas maravilhosas da região castigada pelo sol inclemente, pois cada conversas se transforma em verdadeira aula em que desponta de forma irrefutável a evocação às maravilhas  de nossa riquíssima terra sertaneja.
          As noites Cajazeirenses, marcadas pelas brisas suaves vindas de Aracati e da chapada do Araripe, das andanças pelo Pirulito e pelo Lua Nua, são momentos que ficaram impregnados em minha memória, impossíveis do tempo apagá-los.
          Cajazeiras do Padre Rolim, devido à proximidade com o oásis fértil do cariri cearense, dispõe em suas bancas de feiras do inigualável pequi, o qual adoro, dentro de um feijão-de-corda sertanejo, com charque, sendo que é um fruto do cerrado coletado nos redutos e refúgios maravilhosos da chapada do Araripe, cuja características é intercalar plantas típicas de biomas diversos, como a mata atlântica, o próprio cerrado, a floresta amazônica, com os belos ipês amarelos que tornam a FLONA, nas vizinhanças do Crato, belíssima e atraente , apresentando ainda  a nossa tradicional caatinga, a mata aberta dos índios que outrora perlustraram a região sertaneja dos dois Estados.
          Cajazeiras do Padre Rolim, das saudades das férias com Graça e Juarez Moreira, da hospitalidade de dona Helena, de Kelson e de Jean, de Evandro e de Seliane, de Rodrigo, de Rachel e de Milena, torna-se ímpar em despertar amor incondicional.
          Essas são algumas das razões para amar Cajazeiras do Padre Rolim, pois impossível não despertar emoções por esta terra encantadora cujo povo é um dos mais nobres da face da terra, razão pela qual me declaro totalmente apaixonado pelo maravilhoso pedaço do sertão paraibano onde a amizade, a presteza, a verdade e a fineza são partes integrantes da cultura de um povo heróico e altivo.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo (UFPB). Professor-adjunto do Departamento de Geografia da UERN, Campus Central.
  

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